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Tape’ỹ, onça-pintada macho capturada no final de junho na região de Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, foi solta nesta segunda-feira (3) no Parque Nacional do Iguaçu, unidade de conservação situada na fronteira entre Brasil e Argentina. O nome, de origem tupi, significa “aquele que perdeu o caminho”, referência à trajetória incomum que levou o felino até a área urbana.

Do resgate à soltura

O animal foi capturado com segurança em uma operação conjunta entre instituições brasileiras e argentinas e encaminhado ao Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional, onde passou por exames clínicos e laboratoriais e recebeu tratamento para ferimentos identificados no momento da captura.

Segundo Yara Barros, coordenadora executiva do Projeto Onças do Iguaçu, os exames indicaram boas condições de saúde. Durante o período de observação, Tape’ỹ manteve comportamento típico de um animal silvestre e se alimentou normalmente, fatores que confirmaram sua capacidade de retorno ao ambiente natural. Antes da soltura, o macho recebeu um colar de monitoramento por GPS, que permitirá acompanhar seus deslocamentos e subsidiar estratégias futuras de conservação da espécie na região.

A soltura reuniu equipes do Projeto Onças do Iguaçu, do Parque Nacional do Iguaçu e do ICMBio, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), da Itaipu Binacional e de instituições parceiras.

Um caso raro na região

O episódio chamou atenção por sua raridade: não havia registros confirmados de onças-pintadas na região do Lago de Itaipu havia mais de vinte anos. A origem de Tape’ỹ e os fatores que o levaram a percorrer uma área urbana ainda não foram determinados pela equipe técnica.

O caso reforça a atenção da região para a conservação da espécie. Um censo realizado em 2024 estima que cerca de 84 onças-pintadas habitam o corredor verde formado pelos parques nacionais do Iguaçu (Brasil) e Iguazú (Argentina) e por áreas de preservação adjacentes, das quais aproximadamente 23 circulam pelo lado brasileiro. O Projeto Onças do Iguaçu, criado em 2018, dá continuidade a um trabalho de monitoramento da espécie iniciado nos anos 1990 pelo pesquisador Peter Crawshaw.

Para Rogério Cunha de Paula, chefe do CENAP/ICMBio, o desfecho representa o encerramento de uma operação que começou em uma situação delicada, com um grande felino em área urbana. Já Marius Belluci, gestor de Ciência e Pesquisa do Parque Nacional do Iguaçu, destaca a importância de recuperar áreas de preservação permanente e ampliar a conectividade entre o parque e o entorno do Lago de Itaipu, de modo a fortalecer o corredor de biodiversidade do Rio Paraná e reduzir o risco de conflitos entre onças e populações humanas.

Após deixar a caixa de transporte, Tape’ỹ caminhou em direção à mata e foi acompanhado visualmente até desaparecer no interior da floresta.

Fontes: assessoria de imprensa do Projeto Onças do Iguaçu; H2FOZ Notícias de Foz do Iguaçu.

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